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Sobre o Céu (de Marta Motta Veiga)

Há dias um pai de um menino pequeno perguntou como havia de falar do céu ao filho... que o filho andava muito preocupado por não poder levar os beyblades para o céu, e que preferia ir para outro lado qualquer quando morresse, porque no céu se tem que fazer silêncio, e todos estão muito caladinhos a rezar...

Claramente esta é a paisagem mais frequente do céu, e ainda podemos acrescentar que provavelmente no imaginário de muitos terá anjinhos loiros de caracóis e asas brancas, que cantam um exultate... lindo e melódico... mas arrepiante para os ouvidos de qualquer criança que veja Ben 10, brinque com os beyblades, e jogue à bola...

 Então, como explicar o céu... sobretudo um céu atractivo, que não transmita a ideia de uma grande seca, ao ponto de crianças pequenas não quererem nada com ele, por oposição à probabilidade de existência de sítios bem melhores para ir, depois de deixar a terra, onde possam levar os seus beyblades, correr, rir, e o que mais se lhes aprouver?

 Obviamente o erro está um bocadinho mais atrás... o despertar religioso das crianças nada tem a ver com estes conceitos de céu e inferno e está profundamente errado o querer transmitir-lhes uma ideia de branco e preto a propósito destas coisas.

Falar de Deus como se de um ser mágico se tratasse, está errado, e o resultado mais provável será o de assim que entrem na idade da razão, fugirem a sete pés desse filme e colocarem Deus, Jesus, os anjos e tudo o mais ao lado dos super-homens, homens-aranhas e outros que tais num mundo imaginário e de fantasia que agora já distinguem da realidade.

 Deus não se explica, e o céu também não... pelo menos não desta forma tão fantasiosa, e tão distante da realidade das crianças... para além de falar de Deus à criança devemos levá-la a fazer a experiência de falar com Deus seu Pai. Levá-la a conhecer Deus, não

explicado, mas leva-la à contemplação pela relação que com Ele vai estabelecendo. Levá-la a atitudes de admiração. Deus torna-se presente na vida das crianças através de experiências: Deus faz - cria, age na criação. Deus fala - em nós, na nossa consciência; Deus vem - nos acontecimentos especialmente no Natal. Deus está vivo - nas pessoas, nos acontecimentos, na história. Assim também o céu. O céu, que não é necessariamente azul, cheio de nuvenzinhas brancas onde saltamos e pulamos como se de montinhos de neve se tratasse, mas sem ficarmos ensopados e enregelados até à alma... mas pode ser... é pela ternura e pela proximidade, pela gratuitidade e pela generosidade que chegamos a um céu próximo de nós... a criança deve intuir esse céu, como algo de muito querido, próximo e transparente, onde pode levar os seus brinquedos mais queridos, porque Deus há-de querer brincar com ela, pois é este Deus-Amor e Deus-presença que se quer revelado a todos nós.

Precisamos de povoar o mundo interior da criança de beleza, de harmonia, para que no futuro tenhamos homens e mulheres de grandes ideais de beleza, de alegria e paz.

Mas nesta fase, vale a pena mostrar-lhes que as suas brincadeiras fazem parte da aprendizagem, são queridas por nós pais e por Deus-Pai.

 07.06.2011