Archives for July 2011

Envolveu-nos…

linhas de metro de Bruxelas

Envolveu-nos!

Ontem era o Dia...

Fui à missa, às 16h00m conforme me tinham comunicado, discretamente...

Não conhecia bem nem o anterior nem o actual Provincial, não mais do que o público em geral, pelas suas obras, perfil público e publicado, mas confesso que me surpreende sempre quando grandes homens falam...

A homilia do Pe. Nuno, foi de uma doçura, de uma humildade nos agradecimentos a Deus e a todos os que com ele colaboraram nos últimos seis anos, que enternecia qualquer um que o escutasse, crente ou não, Jesuíta ou não... Confesso que por razões pessoais, o primeiro agradecimento e a primeira palavra do Pe. Nuno me tocaram muitíssimo: começou por agradecer a saúde com que Deus lhe permitiu levar a cabo a sua missão... de facto, se todos os colaboradores são importantes, há sempre Este, acima de todos.

Toda a celebração decorreu com grande serenidade, uma calma orante de todos os presentes...

Chegados ao fim, o Pe. Alberto disse então algumas palavras... não demasiadas, não se alargou muito, mas foi assertivo, disse o que devia ser dito, e pareceu-me ter dado uma grande lição aos jornalistas e demais presentes sobre o que significa ENVOLVER!

Começando pelo facto de ter recebido a notícia de que seria o novo Provincial, a 1 de Abril de 2011, dia das mentiras, e em que a primeira reacção foi essa mesma: é mentira!, à sua localização no momento em que recebeu a notícia: encontrava-se numa estação de metro em Bruxelas onde se cruzam quatro linhas, símbolo da grande encruzilhada que a vida, mais uma vez lhe oferecia, ao estado de espanto que o fez sentar, rezar e perder uns quantos comboios, para poder digerir a notícia.

Digerida, e ruminada, arregaçou as mangas e abraçou a missão... e cá estávamos nós, ontem para ver e ouvir, escutar e olhar, quem nos veio abraçar.

Foi-lhe perguntado algures pelo caminho qual seria o seu “programa de governo”, e o Pe Alberto, cheio de Graça e no seu pragmatismo sublinhou a ausência de um “programa” seu, mas uma missão que lhe foi atribuída, dando continuidade ao estabelecido na 35ª Congregação,  em que o ânimo “de não ser apenas homens para os outros, mas homens com os outros” lhe permite usar e abusar do verbo envolver, de uma maneira ou de outra: servir, ajudar, ouvir, abraçar, começar, continuar, rezar... tudo para a maior COLABORAÇÃO! Jesuítas e leigos, comunidades e paróquias, todos juntos, todos num mesmo rumo, todos juntos, para mais facilmente e mais construtivamente colaborarmos em missão.

A mim, pareceu-me que Deus passava por ali e dizia-nos: “Ide, e inflamai todas as coisas!”

Na espera, pedi ternura para dar…

Vim há pouco de um hospital.... de uma sala que dizem de espera... mas não dizem quanto tempo...

Enquanto esperava fui-me lembrando da despedida do anterior Provincial, em que começou por agradecer a saúde, que Deus lhe deu e com que permitiu que levasse a cabo todos os dias destes últimos seis anos em que esteve à frente da Companhia de Jesus.

Agora que me encontro na sala dita de espera, por onde passam e esperam milhares de doentes, todos os dias, nas mais diferentes horas, penso no valor que nem sempre damos à saúde... e à espera...

Dizem que são salas, mas não têm nem transmitem qualquer conforto...

Decidi rezar, então, por aqueles que ali passam todos os dias, por todas as doenças que ali e por ali atravessam, sejam elas, mais graves ou menos graves, sejam físicas, somáticas ou apenas solidão...

Peço-vos, Senhor, que dês aos que por aqui passam um sorriso, põe-lhes um sorriso nos lábios e um sorriso no coração.

Ajuda-me a semeá-lo, a divulgá-lo e a entregá-lo a todos os que ainda aqui estão comigo, que comigo esperam, e aos que comigo se cruzam... não só doentes, mas também médicos, enfermeiros e auxiliares, que me parecem tanto ou mais ainda, precisar de um sorriso na alma, de um abraço que lhes diga que vale a pena... que os adoce, pois só quem doce é, a doçura pode transmitir... e aos que aqui se cruzam, muitas vezes é só isso que lhes falta: a ternura.

Alberto Brito toma hoje posse como Provincial dos Jesuítas

Basta olhar para o sorriso deste homem para perceber a sua alma. Aos 65 anos, a sua vida volta a dar uma grande volta, passe a redundância. Alberto Brito, padre jesuíta, co-autor do livro Ouvir, Falar, Amar, e um dos entrevistados do meu último programa (para enunciar apenas as referências mais recentes e exclusivamente ligadas ao que tenho publicado neste blog, notem), toma hoje posse como Provincial da Companhia de Jesus. Ou seja, o Superior máximo dos jesuítas em Portugal. Muitos parabéns, querido pe Alberto! Não estou em Lisboa, mas vou voltar a horas de estar nesta cerimónia que não quero nem posso perder. Não imagina a alegria que é tê-lo de volta em Portugal depois de tantos anos de viagens pelo mundo fora... Fazia-nos muita falta!

Laurinda Alves
in http://laurindaalves.blogs.sapo.pt/489633.html

Fica hoje, Senhor, comigo.

Fica hoje, Senhor, comigo...

Senhor, fica hoje comigo, durante este dia e guia os meus pensamentos e desejos, as minhas acções e os meus projectos.

Guia os meus passos para que caminhem ligeiros ao encontro dos cansados e desanimados.
Guia as minhas mãos para que acompanhem aqueles que se perderam no caminho.
Abre os meus braços para que possa abraçar os que se sentem sós e sem esperança.
Ilumina os meus olhos.
Torna atentos os meus ouvidos aos pedidos dos meus irmãos.
Oferece-me um coração terno, capaz de amar sem distinção.
Pai, deposito na Tua protecção o meu descanso e o de todos os meus amigos e entes queridos.
Coloco nas tuas mãos o nosso país, as nossas cidades, o nosso mundo tão inundado de violência, de catástrofes, de guerras e de injustiças.
Ilumina Senhor, os nossos governantes, a sua mente e o seu coração.
Que sempre possa, com a Tua graça, abrir as mãos para partilhar o que sou e o que tenho.
Que com a Tua ajuda possa ver aparecer a aurora de um mundo novo.

Obrigada Senhor, por este dia, que agora começa.

(adaptei de uma oração de um blog chamado venidalmas, para a minha oração da manhã)

Fala-me de Deus!

Disse à amendoeira: fala-me de Deus!
E a amendoeira floriu.
Disse ao pobre: fala-me de Deus!
E o pobre ofereceu-me a sua casa.
Disse ao sonho: fala-me de Deus!
E o sonho fez-se realidade.
Disse à casa: fala-me de Deus!
E abriu-se a porta.
Disse à natureza: fala-me de Deus!
E a natureza cobriu-se de formosura.
Disse ao amigo: fala-me de Deus!
E o amigo ensinou-me a amar.
Disse ao rouxinol: fala-me de Deus!
E o rouxinol pôs-se a cantar.
Disse a um guerreiro: fala-me de Deus!
E o guerreiro depôs as armas.
Disse à fonte: fala-me de Deus!
E a água brotou.
Disse à minha mãe: fala-me de Deus!
E a minha mãe deu-me um beijo na fronte.
Disse à mão: fala-me de Deus!
E a mão converteu-se em serviço.
Disse ao inimigo: fala-me de Deus!
E o inimigo estendeu-me a mão.
Disse à voz: fala-me de Deus!
E a voz não encontrou palavras.
Disse à Bíblia: fala-me de Deus!
E a Bíblia cansou-se de tanto falar.
Disse a Jesus: fala-me de Deus!
E Jesus ensinou-me o Pai Nosso.
Disse, temeroso, ao sol poente: fala-me de Deus!
E o sol ocultou-se sem nada dizer.
Mas, no dia seguinte, ao amanhecer, quando abri a janela,
ele voltou a sorrir-me.

(Miguel Estradé)

Senhor, estende-me a Tua mão, e eu dançarei para Ti.

Há uns tempos, quando percorria os sites da CVX-CLC no Canadá, porque lá estive há pouco tempo, e tenho uns primos que lá vivem, a quem gostaria de mostrar que também por lá existe CVX, deparei-me com esta oração e com a sua história... é uma ternura, e achei que valia a pena deixá-la com todo o impacto da versão original.

"Seigneur,
tends-moi la main
et je danserai pour toi.

Dans ton amour pour nous,
tu as fait bien des pas.
Tu as parcouru
les routes poussiéreuses de Galilée
pour annoncer la Bonne Nouvelle.
Tu n'as pas reculé sur le chemin qui te menait
au Mont des Oliviers.

Et dans la beauté de ta résurrection,
tu t'es révélé à tes disciples.
Tu en as même rencontré quelques-uns
tout discrètement,
sur la route d'Emmaüs.

A chacun, à chacune,
tu as dit ta présence chaleureuse et ta fidélité.
Avant moi, tu as marché sur le chemin
où tu m'appelles aujourd'hui.

Dans mes ténèbres,
tu seras la lumière de mes pas.

Dans ma faiblesse,
tu seras la force de mon cœur.

Je sais que dans l'élan de ton esprit
je danserai ma mort
et que je sauterai jusqu'à toi."

Jacques Dubuc
Padre do Quebeque e bailarino profissional, que morreu de cancro em 1998, aos 43 anos. Foi durante a sua doença que escreveu esta oração.