Archives for July 2011

Abri os olhos, e chorei… avaliei e consolei-me.

Girassol

Eu sei, meu Deus, que a vida é mais divertida do que me parece hoje e que a angústia que sinto vai passar,

Ajuda-me, Pai, a concentrar mais na solução... do que na dificuldade e a acreditar que tudo vai melhorar.

Acho que hoje preciso de colo, peço-te que me tomes nos braços, pois só Tu mo podes dar.

Abraça-me um bocadinho, acho que não tem mal... hoje preciso ser pequenina...

Lembra-me de agradecer tudo, o que já recebi e o que hoje recebo e olhar com gratidão e sem culpas para o que já me deste.

Ajuda-me a ser pequenina, a esvaziar o coração, para que ele possa voltar a encher...

Torna o espaço de que preciso, em solidão silenciosa, que me deixe ouvir os sons das consolações passadas.

Sei que ter medo do vazio e do silêncio, da solidão e do imenso me dá consciência da fragilidade que só possuo.

Peço-te colo... peço-te ombro, para que me deixes chorar um bocadinho, para deitar fora... para esvaziar.

E assim, depois, olhar para o espelho, um espelho que não deforme, mas que conforme,

e me mostre pelos meus olhos a minha alma e o meu coração abertos e consolados e novamente prontos para dançar conTigo ao sabor da vida.

Mas Deus ouviu-me

e atendeu o clamor da minha súplica.

Bendito seja Deus, que não rejeitou a minha oração,

nem me retirou a sua misericórdia.

Sl 66, 19-20

Prova de Vida

Creio que todos já devem ter lido ou ouvido falar da última crónica que Maria José Nogueira Pinto escreveu para o DN. Na sequência desse lindíssimo texto, Vasco Graça Moura escreveu um elogio que me foi enviado pela Teresa Sabido Costa com a seguinte introdução:  

“Mandaram-me este artigo como mandam muitos! Contudo, quando o li, achei que valia a pena publicá-lo no nosso blog. No fundo trata-se do testemunho de um não cristão sobre uma cristã que, segundo ele, conseguia unir, de forma muito evidente e estimulante para os outros, a sua fé e a sua vida! Para nós da CVX, para quem isto é absolutamente fundamental, faz-nos perceber de uma forma muito evidente que, quando deixamos que Deus “passe” através de nós isso marca.”

Seguem as duas crónicas:

Nada me faltará

DN 2011-07-07 MARIA JOSÉ NOGUEIRA PINTO

Acho que descobri a política - como amor da cidade e do seu bem - em casa. Nasci numa família com convicções políticas, com sentido do amor e do serviço de Deus e da Pátria. O meu Avô, Eduardo Pinto da Cunha, adolescente, foi combatente monárquico e depois emigrado, com a família, por causa disso. O meu Pai, Luís, era um patriota que adorava a África portuguesa e aí passava as férias a visitar os filiados do LAG. A minha Mãe, Maria José, lia-nos a mim e às minhas irmãs a Mensagem de Pessoa, quando eu tinha sete anos. A minha Tia e madrinha, a Tia Mimi, quando a guerra de África começou, ofereceu-se para acompanhar pelos sítios mais recônditos de Angola, em teco-tecos, os jornalistas estrangeiros. Aprendi, desde cedo, o dever de não ignorar o que via, ouvia e lia.

Aos dezassete anos, no primeiro ano da Faculdade, furei uma greve associativa. Fi-lo mais por rebeldia contra uma ordem imposta arbitrariamente (mesmo que alternativa) que por qualquer outra coisa. Foi por isso que conheci o Jaime e mudámos as nossas vidas, ficando sempre juntos. Fizemos desde então uma família, com os nossos filhos - o Eduardo, a Catarina, a Teresinha - e com os filhos deles. Há quase quarenta anos.

Procurei, procurámos, sempre viver de acordo com os princípios que tinham a ver com valores ditos tradicionais - Deus e a Pátria -, mas também com a justiça e com a solidariedade em que sempre acreditei e acredito. Tenho tentado deles dar testemunho na vida política e no serviço público. Sem transigências, sem abdicações, sem meter no bolso ideias e convicções.

Convicções que partem de uma fé profunda no amor de Cristo, que sempre nos diz - como repetiu João Paulo II - "não tenhais medo". Graças a Deus nunca tive medo. Nem das fugas, nem dos exílios, nem da perseguição, nem da incerteza. Nem da vida, nem na morte. Suportei as rodas baixas da fortuna, partilhei a humilhação da diáspora dos portugueses de África, conheci o exílio no Brasil e em Espanha. Aprendi a levar a pátria na sola dos sapatos.

Como no salmo, o Senhor foi sempre o meu pastor e por isso nada me faltou-mesmo quando faltava tudo.

Prova de vida

DN 2011-07-13 VASCO GRAÇA MOURA

"Terminal", dizia-me alguém há cerca de dois meses, "- Ela está em estado terminal". Vi-a chegar com o marido a esse almoço de amigos, em que participou discreta e aparentemente bem-disposta, na sóbria gravidade da sua postura algo emaciada, conversando sem aludir à doença, nem à inquietação ou ao sofrimento por que passava. Era assim que aliava estoicismo e bom gosto. Tinha uma maneira directa e inteligente de abordar as questões, encarando as coisas de frente, dizendo o que pensava, apresentando os seus argumentos com total clareza. Era uma mulher sem ambiguidades nem falhas de coragem e todos os que a leram regularmente nesta página podem testemunhá-lo.

A sua vida familiar, a sua carreira profissional, o seu percurso político, as qualidades de que deu provas, a sua energia, a sua capacidade de análise e de decisão, os êxitos do seu trajecto, as suas posições no tocante à sociedade e ao mundo, tudo isso já veio referido em comentários dos mais diversos quadrantes.

A sua autobiografia sumária, num texto concluído e aqui publicado, no DN, no próprio dia da sua morte, é um dos documentos humanos mais belos e pungentes que me tem sido dado ler nos últimos tempos. Pensando bem, creio mesmo nunca ter lido nada assim: alguém escreve na primeira pessoa do singular na iminência da sua própria morte, quase em tempo real, com uma autenticidade, uma serenidade e uma coragem excepcionais e desarmantes!

É com alguma melancolia que me ponho a pensar nessa relação, afinal transparente, entre saber viver e saber morrer. Como quase toda a gente da minha geração em Portugal, eu tive uma educação católica, embora não seja crente desde a adolescência. Não sinto necessidades de nenhuma espécie de incursão na esfera do transcendente, limitando-me a integrar-me nos chamados valores da civilização cristã e a fruir o que deles possa ecoar nas grandes criações do espírito humano, em especial na literatura e nas artes.

Apesar desse laicismo, impressionou-me profundamente a maneira como ela transfigurou a sua educação católica numa experiência pessoal e muito intensa de intimidade com o sagrado e esta em código de conduta moral e norma de actuação prática na vida de todos os dias. Fiquei com a ideia de que a crença cristã foi por ela interiorizada de tal maneira que tornou cada acto da sua vida numa profissão de fé e num exercício de alegria íntima. Isto é muito raro num país em que a tradição religiosa dominante, a católica, se fica as mais das vezes por rituais esvaziados de sentido e pelo mero papaguear do que se aprendeu na catequese.

Ficou-me também a impressão de que a palavra de Deus em que acreditava - e por isso queria, sabia e conseguia vivê-la como alimento espiritual quotidiano - lhe era, ao mesmo tempo, condição e explicitação constantes de uma plena realização pessoal, na própria ascese que procurava para o seu itinerário, na compreensão tolerante do próximo, nos valores da solidariedade e da cidadania, na firmeza com que defendia os princípios que para ela valiam na vida pessoal e na sociedade.

Fazia isso com a enorme naturalidade de ser uma mulher bem do seu tempo, culta e desempoeirada, aberta à modernidade e, sempre que necessário, questionadora da modernidade, de convicções solidamente assentes e pensamento estruturado, de desassombro nas atitudes e coragem sem limites na assunção de responsabilidades, e também com um trajecto de experiências acumuladas de que soube utilizar as mais duras e amargas para a inimitável têmpera da sua personalidade.

Tenho alguma dificuldade em exprimir estas coisas, mas creio que ela soube forjar uma matriz de confiança nessa via anímica e espiritual que, para os eleitos, os happy few, é em si mesma um caminho de esperança e uma proposta de comunhão e partilha, em que o eterno e o temporal se articulam de modo indissociável, seja qual for o lugar de exílio em que o ser humano se sinta a existir.

Por isso, ao dizer "o Senhor é meu pastor, nada me faltará", nas suas palavras finais, ela citou textualmente o mesmo salmo 23 de que já tinha deixado entrever um dos versículos quando disse que, "graças a Deus", nunca tivera medo: "Mesmo que atravesse os vales sombrios, nenhum mal temerei, porque estás comigo."

Esta densa memória que vamos guardar de Maria José Nogueira Pinto é a sua prova de vida.

Exercícios Espirituais na Vida Corrente

Exercicios Espirituais na Vida Corrente: Uma proposta de oração para procurar e encontrar a vontade de Deus na nossa vida

Escola de Oraçãoque nos ensina modos de rezar nos quais Deus Se nos dá a conhecer

Escola de Afectoonde procuramos uma mudança profunda que liberte o coração para acolher aquilo que Deus quer de nós

COMO?

  • ·         Compromisso de oração diária (cerca de 45 min) e de exame de consciência (cerca de 15 min)
  • ·         Compromisso de acompanhamento pessoal quinzenal, com um dos elementos da equipa orientadora
  • ·         7 tardes de Domingo de encontro comunitário durante o ano, de Novembro a Maio, das 15h às 19h

Datas: 13 Nov, 11 Dez, 8 Jan, 12 Fev, 11 Mar, 1 Abril, 6 Maio

  • ·         Dois fins-de-semana para começar e concluir a experiência

Datas: 14-16 Out e 1-3 Junho

 

EQUIPA ORIENTADORA:

Constituída por leigos e leigas, consagrados e consagradas (sacerdotes Jesuítas e irmãs Escravas do Sagrado Coração de Jesus) com experiência pessoal de Exercícios Espirituais e de serem acompanhados espiritualmente, e preparados para ajudar outros neste tipo de experiências.

 

PREÇO: 50 € (pagos em 2 prestações ao longo do ano) + as despesas de estadia dos 2 fins-de-semana (70€ cada um/60€ para estudantes, desempregados e religiosos)

Que ninguém deixe de participar por razões financeiras: a solidariedade existe!

 

REQUISITOS:

• Experiência anterior de Exercícios Espirituais em retiro, preferencialmente de 7 dias.

• Disponibilidade de tempo para a oração individual, entrevista de acompanhamento e participação nos encontros mensais e fins-de-semana de início e conclusão dos EEVC.

 

Os Exercícios Espirituais na Vida Corrente (EEVC) são uma experiência muito forte e gratificante que, geralmente, provoca um impulso grande na vida espiritual dos participantes. No entanto, exigem um compromisso sério e determinado para conseguir o tempo e a disposição para os realizar. Se, depois de pensar e rezar sobre o assunto, se sentir chamado/a a fazê-los, por favor preencha e envie o boletim de inscrição até 1 de Setembro. Durante o mês de Setembro será convocado/a para uma entrevista, por um membro da equipa. O número de vagas é limitado.

 

Para mais informações contactar casadeoracao@aciportugal.org


A mensagem do lápis

Há dias, numa reunião de CVX, em que partilhávamos o rezar a nossa vida, a Maria, presenteou-nos com esta pequena história, se calhar alguns já conhecem, mas achei uma maravilha, por conter na sua simplicidade, uma enorme profundidade. E assim se reza a vida...

"O menino olhava a sua avó com curiosidade enquanto ela escrevia uma carta.

A certa altura, perguntou:

- A Avó está a escrever uma história?

A avó parou a carta, sorriu, e comentou com o neto:

- Estou a escrever sobre ti... é verdade! Mas, mais importante do que as palavras, é o lápis que estou a usar: gostaria que um dia fosses como ele, quando cresceres.

O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.

- Mas ele é igual a todos os lápis que vi em minha vida!

- Tudo depende do modo como se olha as coisas. Neste lápis há cinco qualidades muito importantes, que se conseguires manter, serás sempre feliz e estarás em paz com o mundo.

Primeira qualidade: podes fazer grandes coisas, mas não podes esquecer nunca que existe uma mão que guia os teus passos, a que chamamos Deus.

Segunda qualidade: de vez em quando, é preciso parar de escrever, e usar o afia-lápis. isso faz com que o lápis sofra um pouco. Mas depois estará mais afiado e perfeito. Aprende a suportar algumas dores que te vão surgindo, porque nos ajudam ser melhores pessoas.

Terceira qualidade: o lápis permite o uso da borracha para limpar e corrigir o que estava errado. Corrigir o que fizemos mal é importante para construir um caminho mais justo.

Quarta qualidade: o que realmente importa no lápis não é a madeira, nem a cor, nem a sua forma exterior, mas o grafite que está dentro. Também connosco o mais importante é o que está por dentro.

Quinta qualidade: o lápis por onde passa deixa sempre uma marca... maior ou menor... Assim acontece com tudo o que fizeres na vida. Tudo o que fizeres fica com a tua marca. Por isso tenta ser perfeito em cada coisa que fazes. Procura que os teus desenhos sejam lindos!

O neto ouvia com atenção tudo o que a sua Avó lhe dizia, e gravou na sua memória fresca a interessante mensagem e prometeu vivê-la, tentando em cada dia uma escrita mais perfeita, sempre assistido pela mão invisível de Deus."

 (autor desconhecido)

SÓ POR HOJE!

Só por hoje, vou tentar viver só o dia de hoje, sem querer resolver todos os problemas da minha vida de uma vez.

Só por hoje, terei muito cuidado com o meu aspecto: cortês nas minhas maneiras; não criticarei ninguém; e não pretenderei melhorar ou disciplinar alguém, a não ser a mim mesmo.

Só por hoje, serei feliz, na certeza de que fui criado por Deus para a felicidade.

Só por hoje, adaptar-me-ei às circunstâncias, sem pretender que as circunstâncias se adaptem a todos os meus desejos, a todas as minhas vontades.

Só por hoje, dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura, porque a boa leitura é necessária para a vida da alma.

Edgar Degas pochoir Petite Danseuse

Só por hoje, farei uma boa acção e não a contarei a ninguém.

Só por hoje, farei pelo menos uma coisa que não desejo fazer; e se me sentir ofendido nos meus sentimentos procurarei que ninguém se aperceba.

Só por hoje, acreditarei firmemente, ainda que as circunstâncias demonstrem o contrário, que Deus se ocupa de mim como se mais ninguém existisse no mundo.

Só por hoje, não terei medos. De maneira particular não terei medo de disfrutar do que é belo e de acreditar na bondade.

Papa João XXIII

Radicais Livres

radical adj. 2 gén. referente à raiz; fundamental; completo
livre adj. 2 gén. que tem liberdade; independente; salvo
 

Durante muito tempo, os cientistas acreditaram que os radicais livres eram moléculas ou átomos com um número ímpar de electrões, mas recentes descobertas vieram provar que afinal são ainda mais complexos.

Diz que é uma espécie de grupo composto por indivíduos de ambos os sexos, em diferentes estados civis e com idade para terem juízo. Não obstante as diferentes profissões que exercem oficialmente, são suspeitos de trabalhar na construção de uma missão com o nome de código “Reino de Deus”, uma realidade que muitos analistas entendem estar próxima.

Fazem parte de uma empresa comum, integrada numa multinacional com filiais nas grandes praças mundiais, como Londres, Nova Iorque e Covilhã.

Costumam ser vistos reunidos, a cada quinze dias, em nome de alguém que asseguram estar no meio deles e lhes dá a razão de ser. Encontram-se, invariavelmente, no domicílio fiscal de indivíduos de nome próprio Marta, em lugares com nomes telúricos, como Ameixoeira e Miraflores.

Fora do seu habitat natural, já foram observados fazendo uso da música e também da dança para animar serviços religiosos ou espaços de diversão nocturna, sendo facilmente confundidos, no primeiro caso, com Focolares e, no segundo, com Carismáticos. Contudo, após uma análise aturada, verifica-se que o seu princípio e o seu fundamento são inconfundíveis: baseiam-se na chamada espiritualidade inaciana, pelo que podem assumir um de três estados: contemplativo, activo e “contemplativo na acção”.

O seu objectivo é tornar-se naquilo que são (vide definição supra de “radicais” e “livres”), o que, à primeira vista, parece fácil, mas afinal dá mais trabalho que os TPC que são chamados a resolver, partilhar e avaliar.

Têm cuidado com a alimentação, vivendo não só de pão, mas também de palavras de vida eterna, bem como de algumas variedades de chá e dos chocolates que trouxerem para a partilha. Além disso, praticam exercícios (sobretudo espirituais) e deitam-se cedo, excepto na noite da sua reunião.

Desde que nasceram, em Dezembro de 2008, os radicais livres têm crescido em estatura, sabedoria e graça, esperando vir a dar muito fruto.