Archives for September 2011

Nos ingredientes da vida

o Simãozinho com a sua bola cor-de-laranja e as bolachas de chocolate.

Há dias, modelava um boneco em açúcar, e dei por mim a pensar como os ingredientes que tinha entre mãos têm um paralelo com Deus e com a vida.

Para fazer um boneco de açúcar são precisas várias coisas:

Em primeiro lugar o açúcar. É o ingrediente principal dos meus bonecos, e é aquilo que em primeiro me tempera a vida, para que seja uma vida doce, com ternura, para que possa transmitir a quem está à minha volta algo de bom, de saboroso, aquilo que nos dá apetência pela vida...

Em segundo lugar: a água! fonte de vida, dela tudo nasce e com ela tudo cresce, junta e agrega matando a sede que o açúcar tem.

Depois um pouco de farinha: é aquilo que enche, dá volume, enriquece.

A seguir vem o espessante, o que dá consistência,o que permite aguentar, solidifica, permite que dure e enfrente os tempos futuros.

O corante: o que dá cor. É o que faz com que nada seja a branco e preto, nada seja bom ou mau na essência, antes permite que o açúcar ganhe a cor consoante o fim para que é criado: nem tudo é branco, nem tudo é preto, mas também não há por que ficar pelo cinzento, há toda uma variedade de cores, de situações e de acontecimentos que são diferentes consoante o seu destino.

A observação. Só posso modelar a partir do que observo, do que experimento. Assim também funciona com o amor de Deus por mim: se eu não O experimentar, não o posso transmitir aos outros.

Por fim, as minhas mãos, de criatura que se permite artificie, artesã, que mistura, modela, e pela observação do que está à volta, dá nova forma ao que passa agora a ser.

Assim nasce um boneco de açúcar.

Assim nasço eu, pelas mãos de Deus, todas as manhãs.

«O significado da parábola é este: a semente é a Palavra de Deus. Lc 8, 11

Deus tem Graça

Aos meus filhos, conto histórias de Deus.

“Histórias de Deus”, podem ser quaisquer histórias, às vezes até músicas, umas eles conhecem já, mas aprendem a ver nelas um outro lado... outras não conhecem, nunca ouviram contar. Como quaisquer crianças, os olhos consomem cada palavra com uma voracidade que me indica como as suas cabecinhas estão sequiosas do momento... e as que preferem?... ah! são sempre aquelas em que eles entram também.

Numa adaptação do conto “A varanda” do Nuno Tovar de Lemos, encenei há uns anos uma história para que a Pilar e os meninos da sua idade conhecessem um bocadinho mais de Deus. Aproximava-se a sua Primeira Comunhão e pedi a colaboração dos pais dos outros meninos para que lhes preparássemos uma surpresa: um teatro! Houve pais e mães que entraram, que deram o seu melhor por aquele momento, que ensaiaram, que memorizaram, que cabularam também, houve cenógrafa, houve actor, houve cantora, houve narradoras. Umas mães fizeram de anjo, outras de árvores, vestidos todos a rigor! Cada um marcou-me na sua dedicação, um dos pais fazia de velhote, pôs as cábulas num chapéu de palha que várias vezes tirava como quem fazia uma vénia, mas o que realmente acontecia era que precisava ver as cábulas para se lembrar das deixas.

Rimos todos a bandeiras despregadas...

Foi surpresa... nenhum dos nossos filhos sabia... não sabiam do teatro, mas sobretudo de pais e crianças o feedback foi de que não sabiam que Deus também podia ter Graça.

E assim Deus entrou por ali...

Assim começava:
“NARRADORAS
Hoje vou-vos contar uma história de Deus:
Certo dia, numa varanda à entrada do Céu, encontraram-se 5 pessoas que iam conhecer pessoalmente Deus: uma pintora, uma professora, um homem com uma pasta preta, um velhote e uma rapariga com uma viola.
Então, puseram-se a conversar sobre como seria Deus. Cada um com as suas ideias. Foi uma grande confusão! Quem será que tinha razão?
Numa coisa estavam todos de acordo: Deus é tão grande que é capaz de criar o universo e ao mesmo tempo é tão pequeno que cabe dentro de um grão de areia.
Deus consegue estar em todo lado ao mesmo tempo, e também está dentro dos nossos corações.
Ele é mesmo diferente de tudo o que conhecemos!”
....

"A piedade é, realmente, uma grande fonte de lucro para quem se contenta com o que tem."

Reunião de Lançamento do ano CVX – Sul

Caríssimos,
Lembramos que a Reunião de Lançamento do Ano CVX-Sul se realiza no Rodízio, no próximo dia 25 de Setembro, Domingo.
Os trabalhos têm início às 9h30m e terminam às 17.00h com a celebração da Eucaristia, aberta a toda a comunidade CVX

A colaboração de todos é indispensável, pelo que se pede:

1 - que cada grupo se faça representar nos trabalhos por, pelo menos, duas pessoas (o animador e outro elemento);
2 - que os participantes se inscrevam até ao dia 18 de Setembro para o endereço de correio electrónico  cvx.regiãosul@gmail.com usando a palavra " inscrição" como assunto;
3 - que nos indiquem se precisam de baby-sitter.

Para facilitar a identificação e o conhecimento dos grupos entre si, pede-se ainda aos participantes de cada grupo que se apresentem munidos com uma fotografia do grupo ou do símbolo deste ou qualquer outra representação que o identifique.

Para ajudar a suportar as despesas com o almoço cada participante contribuirá com o que quiser, estabelecendo-se apenas o valor mínimo de 2€ / pessoa.

A participação na Eucaristia, na qual contamos com toda a comunidade CVX, não necessita de inscrição.
Um abraço e até dia 25!

A Equipa Regional

Para a manhã…

Rosa acordada, que sonhaste?
Nas pálpebras molhadas vê-se ainda
Que choraste...
Foi algum pesadelo?
Algum pressário triste?
Ou disse-te algum deus que não existe
Eternidade?
Acordaste e és bela:
Vive!
O sol enxugará esse teu pranto
Passado.
Nega o presságio com perfume e encanto!
Faz o dia perfeito e acabado!

MIGUEL TORGA, in NIHIL SIBI (1948), in ANTOLOGIA POÉTICA (Coimbra, 4ª ed., 1994)

"Sê para mim uma rocha de refúgio,
uma fortaleza que me salve." (...)
"Tu és o meu Deus.
O meu destino está nas tuas mãos;
livra-me dos meus inimigos e perseguidores.”

do Sl.31

Plasticidade cerebral

Partilho  um conceitoque me pareceu importante e que alguns conhecem e outros não, que se chama plasticidade cerebral:

Plasticidade cerebral é a denominação das capacidades adaptativas do SNC (sistema nervoso central)–  é a sua habilidade para modificar a sua organização estrutural própria e o seu funcionamento. É a propriedade do sistema nervoso que permite o desenvolvimento de alterações estruturais em resposta à experiência, e como adaptação a condições mutantes e a estímulos repetidos. A cada nova experiência do indivíduo, portanto, redes de neurônios são rearranjadas, outras tantas sinapses são reforçadas e múltiplas possibilidades de respostas ao ambiente tornam-se possíveis.

Porque é q me lembrei disto: porque nos últimos tempos tenho parado mais para escrever, meditar, reflectir, criar, etc e também para rezar e o que verifico é que quanto mais rezarmos, mais facilidade temos em rezar e em criar orações enquanto diálogos com Deus... exactamente porque a oração nos deve desinstalar, nos deve transformar, nos faz buscar o mais, que nos faz avançar- isso só é possivel se na atitude de oração colocarmos também esta abertura a uma certa plasticidade, como vontade de adaptarmo-nos, alterarmos a nossa vida através da oração. nisto consiste a preparação do terreno...

Fortes, nós?

A propósito do Evangelho e leituras de domingo passado, chegou-me este texto do Pe. Vitor Gonçalves, através da Isabel Diz Nunes. 

Aqui fica: 

 

Cheio de compaixão,

o senhor daquele servo deu-lhe a liberdade

e perdoou-lhe a dívida.”

Mt 18, 27

Forte é quem perdoa

 

                   É de Mohandas Gandhi esta frase: “O fraco nunca perdoa. O perdão é a característica do forte”. E ainda que a mentalidade reinante, talvez não em teoria mas na prática, pareça contradizê-la constantemente, ela mantém a sua força interpeladora. Só o perdão possibilita futuro; enquanto ele não acontece há uma ilusão de progresso mas está-se simplesmente a “patinar”, a construir castelos na areia, a alimentar um monstro dentro de si ou até da sociedade, que mais dia, menos dia, volta a fazer das suas. Vemo-lo na maioria das revoluções políticas: os oprimidos que se revoltam depressa se tornam em novos opressores. E criam a sua corte de “pequenos ditadores” implacáveis e justiceiros, piores até que o senhor a quem dizem servir!

                   Jesus colocou o perdão na única oração que nos ensinou: “perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. É curiosa a imagem de continuidade da ofensa (“nos tem ofendido”), merecendo sempre o perdão. E bem sabemos que é das frases mais difíceis de dizer porque o perdão dá muito trabalho. Na parábola de hoje é quase inimaginável a distância entre a dívida do primeiro homem e a do segundo. Segundo o câmbio da época, dez mil talentos equivalia ao sustento de uma família durante mais de...oitenta e dois mil anos! E, sem pestanejar, o rei, que tinha mandado vender o servo, a família e tudo o que tinha, compadecido pelo seu pedido de um prazo, liberta-o e perdoa-lhe a dívida. Não confundamos com as “fraudes e desvios instituídos” de quem delapida bens públicos sem nunca vir a ser responsabilizado! Aqui trata-se de um amor gratuito e inconcebível para a estreiteza dos nossos corações. Por isso é chocante a falta de compaixão deste servo perdoado para com o seu companheiro que lhe devia cem denários, o equivalente ao sustento de... cinquenta dias! Perdoado em 29930000 dias, incapaz de perdoar 50!

                   Pois é, o perdão não se entende muito bem com contas. Nasce de uma generosidade que desencadeia gratidão. Que não se “paga para trás” mas para a frente, como exemplificava o belíssimo filme com Kevin Spacey, Helen Hunt e Haley Joel Osmet , “Favores em cadeia”. A única medida do perdão é a confiança absoluta do perdão de Deus. O egoísmo pode fechar esta comunicação de amor que Deus quer fazer passar por nós. E então tornamo-nos estéreis, azedos, fechados num legalismo gelado, justificando as nossas razões ou endeusando as opiniões que temos dos outros. Há uma corrente de vida e de amor vinda de Deus, que passa pela nossa aprendizagem em perdoar. Mas será que entramos nessa corrente? Sentimos a alegria de ser perdoados? Ou nem sequer nos julgamos necessitados de perdão? Não será mesmo verdade que, forte, e feliz, é quem perdoa?