“Efeitos terapêuticos e profilácticos da Ação de Graças”

É comum ouvirmos, e sentirmos nós mesmos, dificuldades relacionadas com a prática do Exame Inaciano (aqueles 10 a 15 min. de "flashback do meu dia pedindo a Graça de estar consciente das situações em que senti Deus mais próximo e aquelas onde O me senti mais distante.). "É difícil", dizem uns;  "não sei o que hei-de fazer ou dizer", dizem outros; . ... e ainda "um minuto e estou logo a dormir"; dizem uns e outros. E a gente tenta "num jogo de cintura" narrativo procurar exemplos criativos para ajudar a pessoa a ter aquele "insight" a partir do qual o "Exame para Tomar Consciência" passa a ser um momento de verdadeira experiência do Espírito Santo ao longo do meu dia.
Recentemente, ao celebrar os 50 anos do Carlos Simões - do meu grupo A Porta - conheci aquela que é até agora, uma das mais inspiradoras imagem e  intuição da natureza profunda do tempo de "Exame Inaciano"- Tempo de Acção de Graças. Apressei-me a pedir ao Carlos para poder partilhar com a comunidade este rasgo de inspiração e ele deu-me autorização para vos propor esta leitura: "Efeitos terapêuticos e profilácticos da Acção de Graças". Obrigado Carlos e vê-se que os próximos 50, prometem !
Miguel Villa de Freitas

“Efeitos terapêuticos e profilácticos da Ação de Graças”

Para as afecções do foro espiritual, psicossomático e relacional, a Ação de Graças é uma excelente solução para todas as perturbações do equilíbrio homeostático.

O seu mecanismo de acção é o da conversão interior e da mudança de vida.

O paciente sente rapidamente a sua eficácia:

Porque o coloca numa relação de proximidade e na presença de Deus, o que já é um excelente princípio! Com tudo aquilo que sabe, e ainda com aquilo que não sabe nem imagina, que pode ganhar e crescer com isso.

Porque o ajuda a tomar consciência de que o que tem é muito mais do que o que lhe falta. E como tal é reconfortante no meio de tantas crises económicas, pessoais, profissionais e relacionais.

Porque lhe permite moderar e a ajustar a sua ambição, e o que isso o ajuda a reduzir a ansiedade e a tensão arterial.

Porque o auxilia a lidar melhor com as suas frustrações e como isto é benéfico para as suas angústias e depressões.

Porque o e faz tomar consciência de que o que tem não é fruto do seu esforço, mas da graça e amor infinitos de Deus. Aliviando os graves sintomas de arrogância e de presunção que o diminuem e são, muitas vezes, o veneno que destrói a sua tolerância e a base da relação com o outro.

Definitivamente ajuda-o imenso a rezar e a serenar, porque lhe vai despertar sensações positivas, de conforto e de paz interior. Reduzirá a sua frequência cardíaca e liberta endorfinas.

A partir da acção de graças conseguirá olhar para a sua vida com mais verdade e mais humildade, o que é muito favorável à aprendizagem, pois deixará cair todas as máscaras que usa para se proteger.

Sentirá crescer em si uma nova esperança, antídoto perfeito em que o medo e o sofrimento se atenuam significativamente.

Sentirá como inevitável a necessidade de se reaproximar de Deus, de se abrir ao Seu amor, de querer mudar a sua vida para o lado luminoso.

As relações com as pessoas que o rodeiam tornar-se-ão mais gratificantes, porque conseguirá apreciar mais facilmente as suas qualidades em vez de se focalizar nos seus defeitos.

A sua relação com a vida adquirirá novas tonalidades porque conseguirá ver o seu lado positivo e luminoso, em vez de olhar só para as suas frustrações e para os momentos sombrios.

Experimentará novas sensações que vai descobrir neste caminho que o levará a subir à montanha e a avistar todo um mundo de paz e de felicidade, onde antes só via drama e um horizonte nada animador.

A terapêutica será um sucesso, como se poder antever.

É óbvio que não podemos menosprezar a abordagem profiláctica da Ação de Graças.

Evita a aridez, a desolação e a pobreza espiritual.

Irá fazê-lo sentir-se mais rico em capacidades e competências, e aberto a novas e melhores iniciativas.

Previne problemas cardiovasculares e a soberba.

É o melhor preventivo para a depressão e a angústia.

Revitaliza e fortalece relacionamentos e reduz o número de divórcios.

Efeitos profilácticos conhecidos para o sofrimento e a dor, mesmo nas doenças terminais.

Evita as manifestações mais perniciosas da crise da meia-idade, os conflitos conjugais e com adolescentes.

Mas onde o efeito profiláctico se torna mais evidente é num síndrome muito comum que é o da refilice e do queixume crónico, que gera nas pessoas uma sensação de insatisfação permanentes e de vitimização. Tem uma taxa de erradicação pela prevenção e um efeito terapêutico muito assinaláveis.

O excipiente da simplicidade e da humildade é fundamental para o paciente se colocar numa  atitude de ação de graças.

Incompatibilidades - esta técnica é incompatível com pessoas autocentradas e demasiado cheias de seu poder profissional, económico e social, que começam a não ter condições para se deixar ajudar e para arriscar ajudar os outros.

Efeitos secundários - nestas situações podem manifestar-se reacções como mal estar, dificuldade em adormecer, vertigens, náuseas, perturbação na condução da sua vida, irritabilidade, necessidade de afirmação e tristeza idiopática.

Posologia – Tomar uma dose, várias vezes ao dia. As vezes necessárias até se sentir uma pessoa mais feliz."

Carlos Simões

A vida é movimento… e dança!

Dança, tudo dança.

O movimento da vida é um baile sagrado onde cada passo é único e singular, cujo cenário por excelência é o coração. Não há dança sem bailarinos e não há baile sem alegria de viver. Dançar é permitir que a emoção se mova e que a energia estremeça construindo silhuetas e formas que se desfazem assim que são traçadas.

A dança é o quadro que se desenha sobre a tela do espaço, com os pincéis dos braços, das pernas e dos dedos A dança é uma escultura modelada à base de olhares, de caricias e de sorrisos, esculpidos com os pincéis da música.

A dança é a escultura que modela o corpo humano dinamizado pelo espírito que o habita, é a arquitectura em movimento, edifícios que se desprendem para se encontrarem e gerarem paisagens de beleza. A dança é a música que se escuta pelos olhos, movimento habitado, presença consciente, presente absoluto, presente para quem a executa e para quem contempla.

Dançar é mover a energia, movermos, rejuvenescermos, recrearmos e curarmos. A dança é curativa enquanto convite a fluir, a deixarmos levar e porquanto nos aligeira dos pesados fardos que carregamos.

É preciso recuperar a dança como ritual quotidiano, como movimento doméstico e como festa ordinária.

Nas casas e nas escolas dança-se pouco. É um outro modo de dizer que são espaços em que falta vida e alegria e nos quais a rotina minou o espírito festivo. Não se trata só de incorporar a dança como uma actividade, mas sim de entender que ensinar é fazer bailar as letras, os números, as ideias e as palavras no coração de uma criança para que ali possam ser acolhidas como celebração e exaltação da Vida que somos.

Educar é traçar coreografias de luz e de energia no cenário sagrado que é o coração humano, é fazer dançar os valores humanos que nos fazem divinos, é dançar com o outro, junto ao outro e, sobretudo, com o interior de si mesmo.

José María Toro

in http://grego.es/?p=1509

Velocidade e tempo

neutrino in Cern Courier

Há uns dias, foi feita uma importante "descoberta": a velocidade dos neutrinos é superior à velocidade da luz. Importante porque deita por terra a teoria de Einstein, mas, para o comum dos mortais, não tem qualquer importância... são unidades que nos dizem muito pouco... engraçado foi que esta noticia me deu para pensar na velocidade de Deus... Deus está nestes infinitésimos de segundo mas está tambem na lentidão, na calma e na serenidade... os cientistas "descobriram" muito pouco... apenas o constataram... ela, a Velocidade, já lá estava...
A este propósito lembrei-me do texto de José Tolentino de Mendonça:

"Quem nos rouba o tempo?

O filósofo Blaise Pascal dizia que toda a infelicidade humana provém de uma única coisa: não sabermos estar quietos num lugar. Mas não foi apenas a quietude a tornar-se hoje em dia uma virtude fora de moda. Nós próprios nos tornámos uma espécie de “doentes de
tempo”. Parece que temos de viver sete vidas num dia só, ofegantes, ansiosos, desencontrados e meio insones. Um desenvolvimento sereno do tempo não nos basta. Desde os horários dilatados de trabalho às solicitações para uma comunicação praticamente ininterrupta, entramos num ciclo sôfrego de atenção, atividade e consumo. «Despacha-te, despacha-te» é o comando de uma voz que nos
aprisiona e cujo rosto não vemos. «Despacha-te para quê?». Talvez, se tivéssemos de explicar as razões profundas dos nossos tráficos em vertigem, nem saberíamos dizer. E também disso, desse vazio de respostas, preferimos fugir. Quem nos rouba o tempo? Um investigador social americano, Alec Mackenzie, divertiu-se a construir uma lista de “ladrões de tempo” e chegou à conclusão que os mais perigosos são aqueles interiores, os que nós próprios incorporamos. É claro que há uma quantidade impressionante de “ladrões exteriores”: o modo leviano como nos interrompemos uns aos outros com trivialidades; os telefonemas que chovem e se prolongam por coisa nenhuma; os compromissos e obrigações sociais de mero artificialismo; as reuniões sem uma agenda preparada em vista de objetivos… Mas os “ladrões” mais devastadores são os que atuam por dentro quando, por exemplo, as nossas próprias prioridades aparecem confusas e flutuantes; quando somos incapazes de traçar um plano diário ou mensal e ser fiel a ele; quando as responsabilidades estão mal repartidas e se resiste a delegar; quando não conseguimos dizer um não, com simplicidade; quando nos deixamos envolver numa avalanche de ativismo e desordem ou nos acomete o problema contrário: um perfecionismo idealizado que nos deixa paralisados.
A conquista de um ritmo humano para a vida não acontece de repente, nem avança com receitas de quatro tostões. Também aqui estamos perante um caminho de transformação que cada um tem de fazer e nos pede verdade, aprendizagem e renúncia. A primeira renúncia é àquela da obsessão pela omnipotência. Temos de ter a coragem de perceber e aceitar os limites, pedir ajuda mais vezes, e dizer “basta por hoje” sem o sentimento de culpa a martelar. A insegurança provocada pela velocidade a que tudo se dá, leva-nos a ter medo de apagar a luz ou de arrumar os papéis para continuar amanhã. Precisamos, por outro lado, aprender a planificar com sabedoria o dia a dia, hierarquizando as atividades, e concentrando melhor a nossa entrega. Precisamos aprender a racionalizar e a simplificar, sobretudo as tarefas que se podem prever ou se repetem. E ganhar assim tempo para redescobrir aqueles prazeres simples que só a lentidão nos faz aceder. São tão belos certos instantes de recolhimento e de pausa em que o nosso olhar ou o nosso passo se deslocam sem ser por nada, numa gratuidade que apenas cintila, reacendida."

José Tolentino Mendonça in lugar sagrado.

A todos, uma semana cheia de Deus.

Como posso eu, hoje, ser anjo?

Hoje é dia de S. Miguel, S. Gabriel e S.Rafael, arcanjos.
E uma pergunta me interpelou: como posso eu, hoje, ser anjo?
Todos nós somos de alguma forma anjos, mensageiros... discernir na forma como o fazemos é a questão... e hoje? hoje, sou anjo?

Eu sou anjo na alegria,
Estou alegre porque sei que não estou só,
Sou anjo, porque compartilho a vida, o tempo, os sonhos com os outros,
Sou anjo, quando lhes digo que não estamos sós.
Sou anjo, quando aprecio as coisas simples: um passeio, um café, um sorriso.
Sou anjo, quando sou capaz de rir de mim mesma.
Sou anjo quando percebo que me olhas com ternura e então rio por dentro e por fora.
Sou anjo porque me sei livre, livre para se quiser voltar-Te costas, e sei que me vais deixar fazê-lo.
Sou anjo porque sei que não me fechas a porta e experiencio a tua misericórdia infinita em cada regresso.
Sou anjo quando reconheço no outro o meu irmão, e abraço-o na sua fragilidade, resistindo a todas as tormentas.
Sou anjo porque creio firmemente que no fim o Bem se impõe.
Sou anjo e acredito ser causa de alegria e desejo transmitir aos que me rodeiam toda esta paixão pela vida, ainda que por vezes tenha poucas forças para o fazer.
Sou anjo e sigo este caminho, porque é o caminho bom, e estou certa disso.
Sou anjo e sinto pelo caminho a Voz que me segreda com um carinho imenso: vai e dá aos outros esta tua alegria.

Adora e Confia
Vive feliz
Suplico-te
Vive em paz
Que nada te altere
Que nada seja capaz de te tirar a paz.
Nem o cansaço psicológico.
Nem as tuas falhas morais.
Faz com que brote,
e conserva sempre sobre o teu rosto
um doce sorriso,
reflexo daquele que o Senhor
sempre te dirige.
E no fundo da tua alma coloca,
antes de mais nada,
como fonte de energia e critério de verdade,
tudo aquilo que te encha da paz de Deus.
Recorda:
Tudo o quanto te deprima e inquiete é falso.
Asseguro-te em nome das leis da vida
e das promessas de Deus.
Por isso,
Quando te sentires pesado e triste,
Adora e Confia.
(T.eilhard de Chardin)

“Donde me conheces?” Jo 1, 48

Pára!

No sábado bateram-me no carro. Basicamente entraram-me pelo porta-bagagens adentro...

Permaneci calma, surpreendentemente calma, tentando compreender não o porquê mas o para quê do que me tinha acontecido.

Cheguei a casa, já sem carro, e de boleia, triste com muita coisa, e lembrei-me de escrever um mail para pessoas da CVX, a pedir ajuda, porque senão encontrasse boleia, no domingo não podia ir à reunião de início do ano...

Relatado o episódio por alto, foi engraçado ver como apareceram respostas, quase automaticamente. Os que não podiam, davam contacto de quem sabiam poder, e assim a comunidade se revelou...

Houve uma resposta que me interpelou: "como a maldição não existe só pode ser uma benção!"... Uau! isso é que é fé... bolas! estava eu furiosa com tudo, ainda meio revoltada e triste e saiem-me com esta... como é que eu ficar sem carro poderia ser uma benção?

E então rezei e percebi: foi na resposta dos outros, na sua maneira de me mostrarem que não estamos sós, que estamos juntos, que podemos confiar... foi assim que Deus se me revelou mais uma vez.

Correm os dias, e sempre Deus vem ter comigo, através dos outros, nos outros... mais silenciosa, oiço em cada uma das respostas: PÁRA! E CONFIA!

Isto é ser CVX, é estar em CVX.

Se eles sabem... eu também estou a aprender.

Amanhã, podemos mudar o destino?

Estavam em guerra, quando o general decidiu atacar mesmo sabendo que o seu exército estava em clara minoria. O general estava tão confiante que iriam vencer... mas os seus homens tinham muitas dúvidas. A caminho da batalha. pararam numa pequena igreja. Depois de rezarem, o General pegou numa moeda e disse: Vou atirar a moeda ao ar. Se for cara, ganharemos, se for coroa, perderemos. O destino revelar-se-á!

Atirou a moeda a moeda ao ar e todos olhavam intensamente enquanto caía. Era cara! Os soldados ficaram em extase, encheram-se de confiança, e atacaram vigorosamente o inimigo, saindo vitoriosos. Depois da batalha, um tenente voltou-se para o general e exclamou: “Ninguém pode mudar o destino”.

“Quase certo” respondeu o general, conforme mostrava ao tenente a moeda, que tinha cara dos dois lados.

tradução livre

http://www.spiritual-short-stories.com/spiritual-short-story-122-Destiny.html

Eu disse-lhe: «Para onde vais?» Ele respondeu-me: «Vou medir Jerusalém, para ver qual é a sua largura e qual é o seu comprimento.» Zc 2, 5-7