Escudo papal de Francisco

9 de Setembro de 2013

Miserando Ataque Eligendo

Miserando Ataque Eligendo

"Miserando ataque eligendo" ("O olhou com misericórdia e o elegeu") é o lema escolhido pelo papa Francisco para o escudo papal, que tem inscrito o emblema da Companhia de Jesus.

O Vaticano apresentou nesta segunda-feira o escudo com o lema escolhido pelo jesuíta.

O papa Francisco conservou seu escudo de bispo mas acrescentou os símbolos da dignidade pontifícia e a mitra (chapéu) colocada entre as chaves de prata e ouro e entrelaçadas por um cordão vermelho.

Na parte alta do escudo se encontra o emblema da Companhia de Jesus: um sol radiante e amarelo com as letras em vermelho "IHS": "Jesus, Homem e Salvador".

Sobre a letra H há uma cruz e abaixo das letras IHS, sempre dentro do sol, estão três pregos.

Na parte inferior do escudo, à direita, encontra-se uma estrela e a flor de nardo. A estrela simboliza Virgem Maria, mãe de Cristo e da Igreja, e a flor de nardo São José, padroeiro da Igreja Universal.

Segundo o Vaticano, com o escudo o papa quis ressaltar sua devoção à Virgem e a São José.

O lema "Miserando atque eligendo" foi retirado das homilias de são Beda, o Venerável, que comentando o evangelho de São Mateus escreveu "Vidit ergo lesus publicanum et quia miserando atque eligendo vidit, ait illi Sequere me" ("Viu Jesus a um publicano e como o olhou com sentimentos de amor o elegeu e lhe disse: siga-me".

in  http://noticias.uol.com.br  18/03/2013

São Beda, o Venerável

11 de Setembro de 2013

Escudo Papal-Francisco01

 

São Beda, o Venerável, comentando o evangelho de São Mateus escreveu "Vidit ergo lesus publicanum et quia miserando atque eligendo vidit, ait illi Sequere me" ("Viu Jesus a um publicano e como o olhou com sentimentos de amor o elegeu e lhe disse: siga-me").

Celebração

O convite veio primeiro por mensagem (“Ma’am we will be celebrating
Independence Day…”) Depois pelo correio, impresso, oficial, colorido, nos
seus dizeres bilingues: “Pilipinas, Perlas ng Silanganan…” As “Pérolas do
Oriente” festejavam o Dia da sua Independência, e uma amiga de há anos,
apoio imprescindível nas lides domésticas do outro lado do mundo, propunha
missa, seguida de diversas actividades culturais promovidas pela Comunidade
Filipina em Lisboa. Desafiei os meus compadres, queridos amigos e membros
da mesma CVX. Esquecendo – como pude? ... – o “detalhe” de a minha
comadre ser…Espanhola! Por me saber convalescente, e por isso incapacitada
para conduzir sentiu-se na obrigação de me levar (ajudar um membro da
nossa CVX era um dos pontos do TPC nesses 15 dias!!) – e, ai!, que eu
nem sabia bem o caminho… De modo que lá fomos, dando voltas e voltas
para chegar ao destino, sob o peso da ignomínia do meu convite: “sabe
de quem “eles” se tornaram independentes, não sabe? ...” – não podia ser
maior o meu embaraço, e nem tantos e tão longos anos de amizade ibérica
desculpavam semelhante desatenção… Por fim, entre os cânticos e a liturgia
quase toda em Tagalog - e pese embora se entreouvisse na homilia alguma
referência aos “conquistadores”… (de entre as palavras que a língua indígena
importou do Castelhano) – não pudemos deixar de nos maravilhar - de novo!
- com a universalidade da Sua Igreja. Casais e famílias nos seus trajes de
cerimónia, para nós tão exóticos como o tom da sua pele, rezando e cantando
com candura e devoção ao mesmo Senhor Nosso Deus... Viemos em paz,
com o sinal da cruz da bênção final a sublinhar a radical novidade da Trindade
também nessas longínquas Pérolas do Oriente – “Sa ngalan ng Ama, at ng
Anak, at ng Espiritu Santo”.

Lisboa, 20 de Junho de 2012

 

Concha Balcão Reis da CVX ABBA

Estrada

Não tem fim. Mesmo! Esquece, ou melhor: oferece! Pensa só no passo seguinte. Não pares. Segue. E o asfalto serpenteia ainda, outra e outra vez, no dobrar da curva seguinte. A subir. Já não sentes. Nada. Os pés, as bolhas, as dores. Só voltam se parares. Tapete verde de espigas cobrindo a encosta. Pintalgado de encarnado, amarelo, roxo, e branco mais adiante. “um campo cheio de infestantes!”, sorris a recordar o comentário agrícola à seara com papoilas. E contudo… tão bonito! Repouso de olhos citadinos, tela impressionista que o Senhor pinta cada dia por esse campo fora, ao sabor do sol e da chuva de uma Primavera incerta. O grupo de trás já te apanhou. Agarras o seu cânone trauteado como um estribilho, e juntas-te a eles. “… levai as almas todas para o céu…”  Na cadência do mistério seguinte acertas o passo. Não tires os olhos do chão. Pensa só no passo seguinte. Não pares. Segue. Agora em terra. A estrada. Que serpenteia ainda, outra e outra vez, no dobrar da curva seguinte. A subir. Sempre. É a serra. Qual? Já não sabes. Já não sentes. Calhau. Pedregulho. Pensa só no passo seguinte. Não pares. Segue. Esquece, ou melhor: oferece! A estrada é a tua vida. “Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-vos…”

Lisboa, 8 de Maio de 2012

 

Concha Balcão Reis da CVX “ABBA”

A conta que Deus fez

“São três limonadas e três bolos de chocolate”. E como se acaso duvidasse,
exemplificava esticando três dedos da mão direita, e logo mais três da
esquerda. “Quanto é?” 7, 8 anos? Melena escura, franja rebelde, o sorriso
franco dava lugar ao franzir de sobrolho, setas negras dardejando sob as
pestanas densas. Cara de puto ladino. Com ele vinham as manas, gémeas,
sardas e caracóis, as mesmas pestanas densas, mas os olhos verdes da
Mãe. “1 euro cada - mas olha lá, e tens dinheiro para isso tudo?”, que a
venda era em proveito das Missões, naquela Festa, das Famílias chamada,
espécie de arraial que reúne pais, filhos e várias gerações de alunos do
colégio dos Jesuítas em Lisboa, e mais os que vêm da vizinha Espanha para
os torneios desportivos. Teatros, concertos, rifas, barraquinhas de jogos,
comes e bebes vários, em convívio descontraído, angariando fundos para as
obras missionárias da Companhia. Procurava nos bolsos, de entre os brindes
ou prémios já arrecadados (que, nas mãos de mães prevenidas, soem voltar
no ano seguinte às mesmas lides…). Já se aproximava o Pai, “então Francisco,
precisas de ajuda?” E o Francisco, sem desarmar: “2, três e meio, 5 e…
6!” - “Estes seus três são mesmo a conta que Deus fez!”, dizia ao Pai das
crianças outra freguesa, enternecida. E este, quase distraidamente, enquanto
distribuía palhinhas e guardanapos de papel pela prole: “mas olhe que cada
um é cada qual, mesmo elas, cada um com seu feitio…” Pois claro!, um
vislumbre por entre as limonadas: assim nos criaste, todos e cada um, únicos
e irrepetíveis, mesmo se gémeos - e todos à Tua imagem e semelhança!!!

Lisboa, 2 de Maio de 2012

Concha Balcão Reis da CVX Abba

Urbano Matinal

Rotunda, confusão, encontrão, corre-corre, pressão humana, stress, o tempo em contra-relógio, contra-corrente, ofegante, anónimo, incerto. Corrupio, sobe escada, cavalgada, apressada, acelerada. Cá fora chove. Passado o bafo rouco dos ventiladores subterrâneos, num arrepio, uma chuva miudinha, fustigada, molha a calçada, sob céu plúmbeo. Confusão, encontrão, corre-corre, corrupio. Corrupio, corre-corre, encontrão. E, fatal, o trambolhão. Rasgão, arranhão, confusão. “Está bem?”, “Que foi?”, “Magoou-se?”, sem quase tempo para a resposta, o instantâneo absurdo do tombo estatelado, anónima intromissão, e tudo retoma de imediato, corre-corre, corrupio, confusão, chuva, “não foi nada!”, “obrigada!”, ”eu estou bem”. Chaves aqui, caneta ali, caixa de óculos acolá – tudo espalhado, molhado, entornado, no passeio da calçada viscosa, e a chuva miudinha fustigada, encharcada. Obrigada, Senhor meu Deus! Pela minúscula flor - nunca a veria! - que medra por entre as pedras, tão mínima e perfeita, de um azul que o céu hoje não tem. Para que serve? Porque existe? Porquê ali, a ponto de ser esmagada na cavalgada humana? Porque Tu a crias, susténs, manténs. Com que fim outro que não fosse ser Teu sinal no instante absurdo do trambolhão estatelado?

Lisboa, 19 de Abril de 2012

Concha Balcão Reis da CVX ABBA