O QUE QUEREMOS VER HOJE?

O que queremos ver hoje?

Hoje é segunda-feira, início de uma semana de trabalho para uns, ainda férias para outros... por isso pareceu-me adequada a pergunta: O que quero ver hoje?

Frequentemente sentimos que o que vivemos e vemos é qualquer coisa que nos acontece. Que o que experienciamos depende de outras pessoas e do resto do mundo, quando na verdade temos o hábito de ver o que queremos ver. Se quisermos ver conflito, conseguiremos vê-lo em qualquer aspecto da vida. Se quisermos ver beleza, conseguimos vê-la também.

Assim que acordamos, começamos a criar a nossa perspectiva da vida.

Se pudéssemos começar o nosso dia, uma vez mais, o que gostaríamos de ver?

Voltei ao blog de Sri Chinmoy, porque me pareceu pertinente esta escolha que todos podemos fazer.

Boa semana!

“E eis que hoje te estabeleço como cidade fortificada,
como coluna de ferro e muralha de bronze” Jr 1, 18

VELHOS E RABUGENTOS?

VELHOS E RABUGENTOS!

No Reino Unido há um programa de televisão que se chama  Velhos Rabugentos (Grumpy Old Men). É suposto ser uma comédia, um programa de entretenimento, divertido, que nos faz rir, onde pessoas de meia-idade se queixam de tudo, desde o preço da gasolina à excessiva popularidade de programas como os Ídolos ou o Big Brother. De certa forma as suas queixas são realmente divertidas, mas passado o primeiro impacto, do riso e da piada fácil, vale a pena pensar nisso... como é que eu vou ser daqui a 10, 20 ou 30 anos? sempre a queixar-me e a ser rezingona? Muitas vezes vemos pessoas que a princípio têm uma mente esperançosa, positiva, mas que 10 anos depois (e não consigo ir mais longe, mas a tendência é a agravar-se nos 20 e 30 anos seguintes) vão perdendo as  suas qualidades positivas, que foram sendo ofuscadas e subtilmente substituídas por uma propensão para a rabugice, miserabilismo e negativismo. Sempre ouvi amigas, e com certeza as suas mães antes delas, a dizer às amigas mais próximas: “se algum dia eu ficar como a minha mãe, avisem-me e internem-me!” como forma de tentar não seguir este caminho quase inevitável da rabugice... feliz ou infelizmente, são mais frequentes as vezes em que todos os intervenientes se esquecem dessas palavras, do que os internamentos efectivos! Há, obviamente, maneiras de dar a volta, é só ter vontade...

Na vida de Jesus, vemos isso vezes sem conta, em atitudes desconcertantes, até rebeldes, que nos deixam estupefactos se nos tentarmos imaginar presentes nalgumas delas: imaginar-me perto da mulher adúltera, a ver quem atira a primeira pedra... imaginar-me perto dos pescadores a quem Jesus diz para deixarem tudo e seguirem-no, a ver qual de nós deixava tudo, ou como Marta, que sempre fazendo tudo o que achava correcto, acabava por não perceber porque era a irmã quem ficava com a melhor parte... e queixou-se!

De todas as possíveis pistas para contrariar esta tendência, há algumas que escolhi para partilhar:

  • Discernir: tentando fazer o exame de consciência diário, com as regras dos 4 P’s, tentemos em cada dia, escolher uma coisa para agradecer, uma coisa para pedir perdão, um propósito, e mantermo-nos fieis a este.
  • Não ficar preso a rotinas:  as rotinas podem ser boas e fornecer-nos uma sensação de segurança, mas ficar presos a elas faz da vida uma chatice, deixamos de nos surpreender . Se estamos sempre a queixar-nos do mesmo, tentemos mudar qualquer coisa, e se necessário obriguemo-nos a uma nova actividade, procuremos formas de ver a vida de uma nova perspectiva
  • Não se exasperar com coisas das quais não temos controlo: se o preço da gasolina sobe, não há muito que possamos fazer, e por mais que nos queixemos a OPEP não vai produzir mais 10.000 barris por dia para que todos possamos ter gasolina mais barata. Tentar não deixar que a vida seja dominada pelo que não nos agrada no mundo, sem com isso ser conformista... mas no que de nós não depende, não adianta tentar controlar!
  • Ter a perspectiva de uma criança: Nunca nos referimos às crianças como “olha aquele bando de crianças rezingonas, de mal com a vida” (em princípio...). É verdade que as crianças fazem birras e podem estar de mau humor, volta e meia, mas passa-lhes rápido, porque para as crianças, o mundo é simples e um sítio maravilhoso, a vida não é complicada, mas sim divertida. O problema é que como somos adultos e sofisticados, temos que ser melhores que isso!
  • Deixar o criticismo para os outros: criticismo e rabugice estão intrincadamente ligados. Se passarmos o tempo todo a criticar os outros e a fofocar sobre as suas vidas, desenvolvemos seguramente uma atitude mental negativa e maior apetência por continuar a criticar mais e mais, sem que com isso nos preocupemos com a nossa própria vida, e sem com isso mudarmos o que quer que seja.
  • Ser flexível: definitivamente em crise! As pessoas hoje pouco ou nada sabem de flexibilidade e o que sabem perde-se com a idade: esperamos que as coisas sejam feitas de uma certa maneira, se não são, irritamo-nos e resmungamos! Se tentarmos ser um bocadinho mais como os ramos da árvore, que balançam para poder suportar os ventos, talvez a brisa nos saiba melhor, e as tempestades não nos quebrem.
  • Auto-conhecimento: procurar conhecer o nosso estado de espírito: para não nos deixarmos levar pelo negativismo.
  • Atitude positiva: evitar ser miserabilista. O mais eficaz, é praticar a virtude oposta: ser positivo, procurar o lado bom das coisas, tentar estar activo e dinâmico, mesmo que para isso tenhamos que nos envolver numa nova actividade. Começar é a palavra de ordem!
Não vos acomodeis a este mundo. Pelo contrário, deixai-vos transformar, adquirindo uma nova mentalidade, para poderdes discernir qual é a vontade de Deus: o que é bom, o que lhe é agradável, o que é perfeito. Ao serviço da comunidade
Ro 12, 2
Fonte de inspiração:

As minhas três velas

Muitas vezes rezei pedindo a Deus que iluminasse o meu caminho. Pedia-lhe 3 velas.

Eram 3 velas, pois cada uma tinha a sua função conforme fosse percorrendo a estrada que a vida configura. A primeira vela que pedia era para que iluminasse os obstáculos, de forma a que os conseguisse ver, tirar medidas, e não tropeçar. A segunda, era uma vela para que visse que há caminho depois dos obstáculos, para que me desse alento, puxasse por mim e me dissesse que sou capaz, me fizesse querer seguir em frente, ultrapassando tristezas e dúvidas, todas as adversidades. A terceira vela que pedia, seria para me dar luz, como quem dá a mão para que continuemos juntos o Caminho.

Deus, no seu imenso amor paternal que me tem, deu-me as três velas, que hoje agradeço. A minha filha mais velha, cuidadosa, que tudo observa e que me chama a atenção para o que não está como seria de esperar, com uns olhos brilhantes e sorriso tímido, mas sincero, iluminado. A segunda filha que me foi confiada, é corajosa, destemida, é quem está do outro lado do obstáculo, porque já o passou e do outro lado espera por nós, chama-nos, cativa-nos e desvia a nossa atenção de qualquer dificuldade, com uns olhos risonhos, que nos alegram e nos mostram, se quisermos ver, que a vida tem muitas cores, e a luz que nos dá alimenta a sensação de que somos capazes de vencer qualquer barreira. A terceira vela, é o meu filho mais novo, meigo, que me dá a mão, que me pede a mão e com olhos negros radiantes me diz: vamos, que ainda temos muito caminho juntos!

A VIDA NÃO CABE NUMA TEORIA

A vida... e a gente põe-se a pensar em quantas maravilhosas teorias os filósofos arquitectaram na severidade das bibliotecas, em quantos belos poemas os poetas rimaram na pobreza das mansardas, ou em quantos fechados dogmas os teólogos não entenderam na solidão das celas. Nisto, ou então na conta do sapateiro, na degradação moral do século, ou na triste pequenez de tudo, a começar por nós.
Mas a vida é uma coisa imensa, que não cabe numa teoria, num poema, num dogma, nem mesmo no desespero inteiro dum homem.
A vida é o que eu estou a ver: uma manhã majestosa e nua sobre estes montes cobertos de neve e de sol, uma manta de panasco onde uma ovelha acabou de parir um cordeiro, e duas crianças — um rapaz e uma rapariga — silenciosas, pasmadas, a olhar o milagre ainda a fumegar.

MIGUEL TORGA, in DIÁRIO (1941)

«O maior e o primeiro mandamento»
Para poder amar muito a Deus no céu, é preciso, em primeiro lugar, amá-Lo muito na terra. O grau do nosso amor a Deus no fim da nossa vida será a medida do nosso amor a Deus durante a eternidade. (..)E com Santo Inácio: «Dá-me apenas o Teu amor e a Tua graça, que isso me basta». Faz com que Te ame e que seja amado por Ti; não desejo nem tenho mais nada a desejar senão isso.
Sexta-feira da 20ª semana do Tempo Comum
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787), bispo e doutor da Igreja
Oitava homília para a novena de Natal
in http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=commentary&localdate=20110819

DESCULPAS

Porque não?

“Porque não?” esta foi a primeira coisa que ele disse. Ele nunca me tinha visto antes. Eu não disse uma palavra. “Porque não?” Soube que me tinha apanhado!

Eu levantei as desculpas: “a minha mulher... as pessoas com quem trabalho... não tenho tempo... Talvez seja o meu feitio...”

Havia uma espada pendurada na parede. Ele tirou-a e deu-ma.

"Aqui tens, com esta espada consegues ultrapassar quaisquer barreiras” Peguei nela e esgueirei-me sem dizer uma palavra.

De volta ao meu quarto, da estalagem, sentei-me e continuei a olhar para a espada. Eu sabia que o que ele me tinha dito era verdade.
Mas, no dia seguinte, devolvi-lhe a espada.

Como posso viver sem as minhas desculpas?

in The monk Theophane
http://www.spiritual-short-stories.com/spiritual-short-story-621-Excuses.html

Não sei o que te peço…

“Durante a noite, o Senhor apareceu em sonhos a Salomão e disse-lhe: «Pede-Me o que quiseres». Salomão responde:Senhor, meu Deus, Vós fizestes reinar o vosso servo em lugar do meu pai David e eu sou muito novo e não sei como proceder....

... vou satisfazer o teu desejo. Dou-te um coração sábio e esclarecido, como nunca houve antes de ti nem haverá depois de ti.”

“Se Deus escreve certo por linhas tortas e a vida não é uma linha recta”, a forma como hoje vi o cruzamento das Leituras com o Salmo e o Evangelho, pareceu-me uma recta secante de doçura, na aridez das nossas vidas não lineares...
É tão desconcertante saber que Jesus diz a quem descobre o tesouro para o esconder novamente, por não o podermos ainda possuir plenamente, que quase me indigna... mas depois, na humildade de Salomão, descobrimos um caminho sobre o que vender e o que procurar no silêncio de dentro, desde dentro....
Inclinei-me então junto de Ti, Senhor, e como Salomão, não sabia o que te pedir...
Não te sabia pedir senão um coração que te saiba procurar,
capaz de perseverar,
um coração ignorante de cansaço,
um coração pujante de fidelidade,
um coração pequeno para a arrogância,
um coração cheio de tolerância,
um coração fraco de certezas,
um coração forte de dúvidas que te buscam,
um coração leal,
um coração transparente.
Porque não me é pedido que governe nenhum povo,
apenas os meus destinos pequenos,
mas a inquietude deste coração que te procura,
crê na saciedade do nosso encontro.
E que esse seja o nosso maior tesouro.

Só Deus sacia, e fá-lo infinitamente. É por isso que só podemos repousar em Deus, como disse Santo Agostinho: «Fizeste-nos para Ti, Senhor, e o nosso coração anda inquieto até que repouse em Ti»

«O Reino do Céu é semelhante a um tesouro escondido”
Mt 13, 44